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Pr. Israel Ramos.

… se é pela graça, já não é pelas obras da lei, do contrario, a graça já não é graça (Rm 11.6).

Aquele que não conheceu pecado Deus o fez pecado por nós; para que em Jesus fossemos feitos justiça de Deus (II Co 5.21).

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A maravilhosa graça é JESUS. Graça é UM presente imerecido. Graça é a qualidade de um Deus santo fazendo tudo a quem nada merece. A graça é uma joia de raro valor. Não há nada que você possa fazer para merecer, pois Jesus já fez tudo e o necessário.

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Você recebeu uma joia raríssima de valor incalculável. Se você não souber o preço é bem possível que não dê muito valor, principalmente se o doador não TIVER PARECER NEM FORMOSURA e sem beleza alguma para que seja desejado.

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Talvez você se pergunte:

Como poderia um homem sem pecado (justo) tornar-se pecado na cruz por mim? Como eu, que só fiz o que era errado, posso me tornar justo (justificado)?

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 Compreenda que a nossa justificação é resultado da obra perfeita consumada por Jesus na cruz. Somente recebemos a sua justiça mediante da sua maravilhosa graça. Não existe meio caminho, meia graça. Você é justificado pela graça, sem nada merecer, e não por suas próprias obras.

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Graça é uma palavra teológica, ampla significativa, profunda e esclarecedora. Em sua raiz grega a palavra graça traz a ideia de: eu me regozijo ou estou feliz. Visto assim pode-se afirmar que a maravilhosa graça é uma bem-aventurança.

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A doutrina da graça é um assunto que permeia todo o texto bíblico com a nítida impressão de trazer ao ser humano o resgate divino. Nesta doutrina resume-se a relação entre o Deus de toda graça e o ser humano. A melhor maneira de se entender a graça em sua essência e eficácia é praticando-a dia após dia.

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Só poderemos receber e compreender a doutrina da justificação pela graça como um dom gratuito de Deus, mas não porque seja algo barato, mas, sim, porque não tem preço! A nossa justificação é gratuita, mas custou caro. Jesus pagou um alto preço vertendo seu sangue por nós. Não há como pagar, porque já foi pago (Tt 2.11ss).

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A maioria tem uma compreensão incorreta sobre a justificação pela graça. Normalmente associamos justificação ao cumprimento de uma lista de regras. Se a cumprirmos à risca, sentimo-nos justos. Caso contrário, sentimo-nos injustos. Precisamos entender claramente que tornamo-nos justiça de Deus pelo sacrifício de Jesus e nada mais. Jesus cumpriu, corretamente, todas as exigências. Nosso único papel é crer e aceitar o feito dele na cruz. Cristianismo é crer corretamente em Jesus para ser justificado – Aquele que não conheceu pecado Deus o fez pecado por nós; para que em Jesus fossemos feitos justiça de Deus (II Co 5.21).

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Cristianismo é relacionamento com uma pessoa e não uma religião com uma lista de regras. Ande com Jesus, tenha um relacionamento afinado com Ele e você se tornará semelhante a Ele, falará como Ele e exalará, até mesmo, o perfume dEle. Perceba qual é o seu estilo de vida. Se você vive afundado no pecado, sua maneira de crer está errada, porque a graça nos liberta do poder do pecado e da morte.

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A beleza da doutrina da graça é que ela contém as promessas de Deus para toda a humanidade. Falar na graça é descrever o Deus encarnado, a aliança, o mediador e a reconciliação, onde ela é a realização da nossa salvação, desde já real e completa em Jesus. Devemos entender claramente que a justificação não é pela fé, mas, sim, pela graça mediante a fé. Porque não é a fé, mas a graça a causa da justificação, pois Deus é a causa.

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Ao se estudar esta doutrina entende-se que o cristianismo é compreendido como a instauração e a materialização de uma nova relação jurídica entre Deus e o ser humano. Não há possibilidades de sermos justificados pelas nossas obras. Se insistirmos em procurar qualquer realização para merecermos a compaixão e a graça divina, estaremos tentando com nossos direitos e esforços aproximarmo-nos de Deus, quando na verdade estamos sim é nos afastando cada vez mais de sua graça.

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Você não tem mérito. Se você depender de sua justiça, você ficará frustrado. Você falhará todas as vezes que tentar. Por esta razão há muitos cristãos nos manicômios e outros que vivem como zumbis pelas ruas e dentro dos templos. São esquizofrênicos, estressados, abatidos, nervosos, iracundos, maldizentes e rancorosos. A religião da lei é acusação e morte. Jesus é vida em abundância. A lei condena você no seu melhor. A graça salva você do seu pior. A graça te qualifica e te abençoa enquanto a lei te deprecia e te amaldiçoa. A maravilhosa graça declara o grande amor de Deus e ainda traz a revelação do calvário e a ressurreição ao terceiro dia.

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A centralidade do evangelho é Jesus Cristo: tudo por ele, nele e para ele. A única obra que merece destaque é a vida, morte e ressurreição de Jesus. Deus nos amou e providenciou tudo e o necessário para a nossa salvação e nos fez participantes de sua família, tornando-nos justificados, pelo sacrifício da cruz.

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Tudo foi providenciado em Jesus Cristo, nos reconciliando com Deus através da graça que atuou nele, mas em nosso favor, não sendo necessário nenhum esforço ou pagamento humano, pois até mesmo a fé, que usamos para crer, é de procedência divina (Ef 2.8).Paulo ataca a autojustificação – Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus (Rm 10.3) – como insuficiente e falsa, colocando em seu lugar a justiça divina. “Isto é, uma justiça que Deus não só requer, mas provê”.[1]  A graça é a graça de Deus, ato seu, obra sua, vontade sua e reino seu.

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As boas obras são uma consequência da graça. “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Na teologia paulina isso é chamado de fruto do Espírito, que se manifesta em nós pela maravilhosa graça. Os benefícios da graça divina, geralmente, são chamados de dons do Espírito (Rm 1.11; 5.15; I Co 7.7). O novo relacionamento com Deus provoca resultados visíveis: as obras. A condição humana, em sua união com Deus, procedente da redenção de Jesus Cristo e do dom do Espírito Santo é que cria a necessidade do realizarmos boas obras. Várias etapas são vencidas, dirigidas pelo poder do Espírito Santo provocando “novas atitudes”. Caridade, alegria, paz, paciência, mansidão, bondade, fidelidade e temperança, são as virtudes geradas pelo novo nascimento. “Somos salvos: eficientemente, por graça; meritoriamente por Cristo; instrumentalmente pela fé; evidencialmente pelas obras”.[2]

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Os frutos do Espírito são as manifestações visíveis da graça de Deus operando em nós. Tão importante como compreender e receber a graça salvadora faz-se necessário praticar a nova vida que a graça traz àqueles que creem. A graça não só produz a salvação na redenção operada na cruz, mas ela, também é a própria salvação, ou seja, ela cria e manifesta uma nova realidade.

A graça ensina que Deus nos ama pelo que Ele é e não pelo que nós somos ou fazemos. Por esta razão, a igreja (comunidade dos crentes em Jesus) deve ser um lugar de acolhimento e restauração, pois – “Ser cristão é perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você” (C.S. Lewis). A doutrina da justificação é a mescla da loucura da cruz com o escândalo da GRAÇA (I Co 1.18-23).

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O Reino de Deus é o reino de toda graça e consiste em justiça, alegria e paz (Rm 14.17). Para você que está cansado e sobrecarregado pelo peso da acusação da religião e da força da lei, saiba que Jesus tem algo que altera sua vida. O que Ele fez por amor a você não tem preço. Desfrute deste amor. Lembre-se do que Ele fez por sua causa. Ele foi moído pelos seus pecados e ferido por suas iniquidades. Ele se fez pecado por você. Ele tornou-se enfermo para que você fosse saudável e se fez pobre para enriquecer muitos “Jesus Cristo sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza” (I Cor 8.9).

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SOMENTE A GRAÇA, SOMENTE A FÉ, SOMENTE A PALAVRA E SOMENTE CRISTO – SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLA SCRIPTURA E SOLO CHRISTUS. Tudo por pura graça, nada sem ela. Amém.

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Israel Ramos é pastor na AD em Laranjal PR., mestre em teologia prática, psicanalista, capelão social e escritor das seguintes obras: O Sabor do Sal – Oráculo Profético – Atitudes Transformam e Fugindo das Paixões.


[1] Teixeira, A. B, Dogmática Evangélica, p. 240.

[2] Ferreira, J., Antologia Teológica, p.233.

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