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Pastor Leonardo Rosa

“E aconteceu que, indo eles falando entre si e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou e ia com eles (ARC) Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; (NVI) Lucas 24.15”

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A capelania surgiu com o propósito de prestar assistência aos necessitados. O objetivo principal, sem dúvida, é prestar cuidados com a finalidade de suprir os necessitados. Sendo assim, cuidar é o termo mais completo para definir a capelania.

Boff (1999) soube expressar isto com toda propriedade cabível dentro de um seguimento humanitário. Uma das origens do vocábulo ‘cuidar’ é latina – “coera”. Utilizado num contexto relacional de amor e amizade. Expressa uma atitude de cuidado, preocupação e inquietação em relação a alguém ou algo estimado. “Saber cuidar” é muito mais que um ato: é uma atitude que resulta em uma dedicação, preocupação e envolvimento afetivo com o outro.

Entre as funções do capelão envolver, acompanhar as pessoas, funcionários, estudantes, presos, militares, pacientes, famílias são características que define o seu chamado. Caminham na mesma jornada, juntos, sendo sempre presentes e investindo tempo e energia na criação de relacionamentos é essência da capelania.

O capelão quando caminha junto, ajuda a criar um lugar de apoio quando for necessário, oferecendo tempo para encorajar e fortalecer o bom entendimento, para ajudar na resolução de conflitos, sendo assim: agente de transformação e cura. A capelania é a missão onde cada necessidade é vista e cuidada, onde Cristo Jesus é manifesto através do capelão.

O capítulo 25 de Mateus trata dos ensinamentos de Jesus sobre o valor de todas as pessoas – não apenas aquelas que são da mesma raça, cultura e religião. Nesse contexto Jesus ensinou que se as pessoas quisessem ser retas e herdar o Reino de Deus, elas deveriam ministrar e cuidar de todos necessitados – principalmente as consideradas “menores desses”.

O vocábulo que aparece no AT, 420 vezes para ‘cuidar’, no hebraíco é ‘shamar’ – a prática de “exercer grande poder sobre”, segundo o Dicionário Internacional de Teologia. Agregado a outros verbos, pode expressar “fazer com cuidado” ou “fazer diligentemente” (HARTLEY,1998). O capelão é chamado para ministrar para todas as pessoas independentes de quem são: sejam moradores de rua, os que não tem educação, os enfermos, presos, os rejeitados pela sociedade ou até mesmo um rico, milionário, todo aquele que precisa de uma ajuda.

O capelão encontra pessoas desconhecidas todos os dias. Muitos procuram por apresentar necessidades urgentes e problemas que precisam ser resolvidos. Essas pessoas não esperam um cuidado espiritual para longo prazo, mas reconhecem que precisam de ajuda em certos momentos na vida.

Antes de providenciar qualquer tipo de intervenção, o capelão precisa: avaliar a pessoa e a circunstância. Um dos desafios que o capelão encontra é provar esse cuidado amoroso para todas as pessoas necessitadas que ele encontrar.

Capelania em ação:

As suas maiores preocupações deveriam ser com as coisas normais da adolescência. Ele deveria estar em casa ouvindo a sua mãe brigando com ele sobre arrumar o seu quarto. Ele deveria ser um adolescente.
Mas agora ele estava na prisão – um criminoso. Ele participou dos estupros e assassinatos de três jovens. Ele era uma ‘persona non grata’ – o pior dos piores vilões. Até mesmo os seus amigos não visitaram na prisão. Mas a capelã estava presente, mesmo antes de ser chamada.

Sem criar suposições ou ouvindo opiniões de outras pessoas, o capelão clarifica a situação através de uma avaliação informal. Essa avaliação é feita durante a primeira conversa com as pessoas, quando elas estão contando suas histórias. Essas avaliações se tornarão uma base para o ministério de caminhar juntos. Dessa forma o cuidado espiritual das pessoas se torna direcionado para tratar dos problemas desafios, traumas, dores, emoções e sentimentos) encontrados na avaliação e não apenas em aliviar os sintomas.

Alguns aspectos que podem ser observados durante a primeira avaliação:
• Saúde física
• Saúde psicológica
• Situação econômica
• Estado civil
• Relacionamento com amigos e família
• Conexão ou isolamento com uma instituição religiosa
• Sua espiritualidade
• Identidade cultural

Após essa avaliação inicial o capelão pode aconselhar as pessoas:

Aconselhamento na capelania
O chamado para aconselhamento na capelania pode acontecer em um atendimento para colaboradores, empregados, empresários, alunos, pacientes, presos, militares e instituições. O ato de aconselhar é muito importante, mas o capelão deve entender a diferença entre o conselheiro pastoral (espiritual) e o conselheiro clínico ou terapêutico.

Alguns capelães são talentosos e treinados em aconselhamento. Com certeza esse treinamento será muito proveitoso na vida do capelão. Dependendo da situação, o capelão deve encaminhar as pessoas para um conselheiro com mais experiência ou um profissional médico.

O aconselhamento na capelania é distinto, no sentido de que a espiritualidade e consciência de Deus são as bases para discussão e intervenção, mesmo quando a linguagem religiosa não é usada. A realidade sobre Deus, no relacionamento do conselheiro com o aconselhado, encoraja a reflexão sobre fé, moralidade, pecado, justiça, misericórdia e graça.

O capelão que aconselha com uma perspectiva espiritual não permanece neutro aos problemas éticos do mundo. O capelão deve permanecer fiel aos ensinos e orientações da sua fé.

O aconselhamento na capelania é de curta duração e breve. A maioria das pessoas procura o capelão pedindo um conselho sobre um problema específico. capelão esclarece as opções e ouve as pessoas. Muitas vezes as pessoas precisam apenas falar com alguém e ter alguém para ouvi-las. Em outras situações o capelão pode sugerir opções e alternativas a serem seguidas.

‘‘Curar algumas vezes, aliviar frequentemente, consolar sempre’.

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Mais do que tudo, capelania é estar presente e servir: chorando, sorrindo, adorando, celebrando, contando, ouvindo histórias e levando conforto. A capelania primeiro lhe envia a lugares, para depois lhe trazer pessoas.

Um antigo provérbio francês resume o papel de conselheiro do capelão quando caminha junto:

Pastores e Obreiros Locais:
 Ministram para um grupo de pessoas ao longo prazo;
 Conhecem bem as pessoas;
 Ministram em tempos “normais”;
 Ministram para um grupo de pessoas que tem a mesma crença;
 Ministram para um grupo de pessoas que escolheram fazer parte desse grupo;
 Ministram em um contexto de identidades cultural similares;
 Recebem reconhecimento de uma congregação ou ordem eclesiástica.

Capelães:
 Ministram para pessoas que não conhecem ou não conhecem bem;
 Ministram para pessoas que não os chamaram ou ligaram para eles;
 Ministram para pessoas que estão enfrentando necessidades;
 Ministram para pessoas de várias culturas e grupos étnicos;
 Ministram para pessoas de várias tradições religiosas;
 Ministram para pessoas que não sabem o que é um capelão;
 Recebem autorização de uma associação de Capelães.

O cuidado espiritual

A definição de ‘cuidado espiritual’ é derivada da ‘imagem do pastor cuidando do rebanho’. Em uma visão geral e inclusiva, o cuidado espiritual inclui todos os ministérios que cuidam e nutrem as pessoas e seus relacionamentos dentro da comunidade. Isso pode incluir os meios tradicionais de ministrar para as pessoas como: estudos, oração, meditação e também outros métodos mais recentes como o estar presente (a presença), ouvindo as pessoas e as reflexões.
Dependendo do contexto, onde o capelão serve, a ministração precisa ocorre com a sua presença – ouvindo as pessoas sem julgamento, intervindo com carinho e cuidado e com a esperança que vem pela fé.

Além do ministério de presença, ministério de compaixão e audição atentas, o capelão pode escolher uma ou vários métodos de intervenção para cuidar das pessoas espiritualmente. Alguns, desses métodos são:
• Ensino das Escrituras;
• Oração individual ou em grupos;
• Confissão de fé;
• Sistemas de apoio sociais dentro da organização;
• Rituais e sacramentos;
• Crença em intervenção divina;
• Perdão;
• Crença na vida após a morte;

Para caminhar junto, precisamos ter uma atitude de servo, assim como Jesus em sua vida nos foi exemplo. Todo o ministério do capelão deve nascer desse coração de servo. O capelão pode ser uma pessoa de autoridade, com muitos recursos, de proeminência; mas a sua resposta deve crescer da atitude de servo.

O capelão deve demonstrar a compaixão como servo da mesma forma que Jesus demonstrou na sua encarnação. Jesus deixou de lado a sua posição privilegiada, a sua riqueza celestial e a sua independência divina para nos mostrar o que significa caminhar com as pessoas.

Perguntas para reflexão:
Em algumas palavras, respondam essas perguntas:

  1. Você tem dificuldades de andar com as pessoas?
  2. Quais são algumas das necessidades da sua comunidade?
  3. Quais são alguns lugares (que talvez, você ainda não foi) que você poderia ir para ajudar as pessoas que estão lá?
  4. Quais são os desafios para ajudar essas pessoas que estão com essas necessidades?
  5. De acordo com o que falamos nesse capítulo, como você pode curar, medicar e confortar essas pessoas?

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Leonardo Rosa é Teólogo, Capelão, Conselheiro, Escritor, Formado como Bacharel em Administração de Empresas com especialização em Marketing pela Liberty University (Lynchburg, Virginia).

Especialista, pós-graduado em Aconselhamento Cristão, Mestre em Teologia e Doutorando em Ministério pela Liberty Baptist Theological Seminary.

Possui capacitação e treinamento pelo Cancer Treatment Center of America em Capelania Hospitalar e pela American Red Cross em Capelania Pós-Desastres.
 
Foi Pastor Sênior da Hope Church Cape Cod (IEQ Hyannis) de 2014 a 2021. Atualmente é Diretor e professor do International Institute of Theology and Leadership e Diretor Acadêmico da Florida Leadership and Ministry University (FLMU).

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