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É hora de sermos uma igreja equilibrada

Pr. ISRAEL RAMOS

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A humanidade como um todo está em desiquilíbrio em todas as áreas. O equilíbrio atualmente é exceção. A igreja precisa desenvolver um papel preponderante neste contexto, tornando-se o pêndulo de equilíbrio e voz profética como “sal da terra, Luz do mundo e fermento” (Mt 5.13,14; 13.33).

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Como membros do corpo de Cristo, temos uma herança memorável com riquezas de detalhes do agir divino através de milagres e maravilhas. Apesar de vivermos em um tempo de transformações aceleradas, devido aos desajustes sócio-políticos e desordens de toda sorte com guerras e rumores de guerras. Diante deste caos social estabelecido, a igreja precisa ser o equilíbrio, pois há questões bíblico-eclesiásticas que por si só são inegociáveis.

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A igreja brasileira desde o seu nascedouro demonstra lampejos nacionalistas; sempre lutando para não perder a herança missionária, mas ao mesmo tempo, descobrir-se como igreja de Cristo com um tempero verde-amarelo.

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Em um País com dimensões continentais, como o nosso, não há como estabelecer um padrão engessado e único nas realizações dos cultos, porém devemos, sim, lutar pela unidade, e não pela uniformidade. Entretanto, não podemos nos desviar dos padrões que identificam-nos como igreja de Cristo, em vez de amoldarmo-nos ao padrão mercantilista.

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É quase inaceitável a colcha de retalhos que tem se tornado a defesa de nossa fé, doutrinária e liturgicamente falando. Paulo ensina-nos: “Cuida de ti mesmo e da doutrina” (1 Tm 4.16). Em muitos redutos eclesiásticos, as influências espúrias têm deixado nosso povo alarmado, tendo em vista, que ocorrem mudanças tão bruscas, dependendo da moda que sopra aqui ou acolá.

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Um dos aspectos do fruto do Espírito é a temperança. Devemos caminhar no sentido da lucidez e do equilíbrio. O povo brasileiro, por natureza, é um povo alegre e vibrante. Por que não fazermos um culto festivo, sem cairmos em atitudes de irreverência?

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Devemos ser, cada dia mais, uma igreja que desenvolva sua autoridade espiritual para transformar o mundo e não nos amoldarmos a ele (Rm 12.1-2). Dessa maneira, importa trabalharmos para encher as igrejas, mas também preencher, NOS crentes, o vazio da alma com ensino sadio e conduzirmos o povo para uma vida de piedosa consagração. Importa ensinar os argumentos da fé e da difícil nobreza ética. Importa capacitar com clareza o evangelho da cruz, com renúncia, com morte, mas, também, com ressurreição.

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Podemos instruir com graça, vibração e alegria, sem usarmos os artifícios e sutilezas mundanos. Para que confundir nosso povo, entre o divino e o herético, entre o que vem de Deus com o que provém de fontes impuras e malignas? Somente a guisa de exemplo: a nossa hinologia tem sido avassalada por produtos meramente “profissionais” e mercantilistas, para não dizer ímpio; textos pseudopoéticos com linguagem, muitas vezes, vulgar e desarticulada, com uma redação sem criatividade, sem beleza, claramente corrompidas com falhas e paupérrimos clichês, marcados pelo herético, secular, profano, como se sagrado fossem.

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Estas práticas enganam e confundem, transformando o SOLENE em carnavalesco e folclórico; transformando a união em populismo irreverente. Para conter esta avalanche devemos assumir nossa posição de servos e corajosamente avançarmos, pela “fé que uma vez foi entregue aos santos” (Jd 3), e sermos arautos da verdade, não trocando nossa herança por um “prato de lentilhas” (Hb 12.16).

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Ao pedir equilíbrio, não quero, apenas, me contrapor aos aspectos litúrgicos de que não concordo, devido minha formação teológica, pois creio na diversidade dos dons e na multiforme da graça divina (1 Co 12.4; 1 Pe 4.10). Lembrando sempre de que o Apóstolo Paulo nos convoca para uma vida de plenitude (Ef 3.19; 1.23; 4.13). O equilíbrio para Deus é uma vida de plenitude, nada menos do que isto. Plenitude é termos uma sede insaciável e urgente por Sua presença, a tal ponto de que deixemos uma herança transformadora. Plenitude é equilíbrio sem apatia.

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Plenitude no equilíbrio significa sermos radicais na fé todos os dias e vivermos a urgência da sede pela presença do Espírito Santo.

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Equilíbrio na plenitude não deve roubar nossa urgência, pois se tal coisa acontecer nos tornaremos irrelevantes para Deus e para a humanidade.

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Plenitude no equilíbrio é tão significativo de que não precisaremos lançar mão de “fogos de artifícios” para revitalizar nossos cultos, porém isto, também, não é desculpa para abandonar nosso ardente desejo pela presença divina e seu poder regenerador.

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Equilíbrio na plenitude significa poder, fervor e uso dos dons do Espírito Santo, mas ao mesmo tempo desenvolvimento de caráter e integridade. Unção e demonstração de poder nunca deve ser desculpa para viver no pecado. Por outro lado, desenvolver o caráter e integridade nunca deve ser desculpa para não almejar uma busca incessante e urgente pelo poder de Deus!

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 Plenitude no equilíbrio se expressa na urgência de sermos a voz profética de Jesus através de sinais e maravilhas: uma “igreja de milagres”. Equilíbrio na plenitude significa sermos uma igreja que provoca transformações pessoais, sociais e estruturais. Muitas vezes, somos apenas um ajuntamento de pessoas, quase um “clube de folclore religioso”. Não, mil vezes não! O nosso comandante é Cristo, o Senhor absoluto da história. Ele é o Senhor dos milagres. E nós necessitamos de um milagre: o milagre do discernimento, para separar o bom do vil, a escória da excelência. Somente assim seremos o equilíbrio e o porto seguro para uma geração desorientada e desajustada.

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Que Deus nos dê a graça para praticarmos essas verdades.

PR. ISRAEL RAMOS.

Casado com Vera Lucia Ramos, pai de Magaly e Michelly.

Bacharel em Teologia pela FACULDADE SULAMERICANA (Londrina – Pr).

Especialização em Teologia Prática com área de concentração em pastoral (Latu Senso) 13.12.2002 – FACULDADE SULAMERICANA – Londrina – Pr. (credenciada pela portaria do MEC n° 1.384 de 09 de maio de 2002).

Capelão Social – International Chaplains Association (Florida – USA).

Pós-graduando em Formação Psicanalítica – Sociedade Psicanalítica do Paraná.

Membro da CIEADEP – Exercendo seu ministério em Laranjal Pr.

Autor das seguintes obras:

“O Sabor do Sal” (por uma liderança saborosamente influente);

“Oráculo Profético”        (A vida e contexto dos Profetas);

“Atitudes Transformam”.

“Fugindo das Paixões”.

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